segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Falas de civilização...

Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!

Alberto Caeiro


Vivemos sempre o dia-a-dia a favor do encontro de uma felicidade plena e irredutível. Guiámos as nossas acções em direcção a uma meta, felicidade. Mas o que é a felicidade? Quando é que a sentimos, se é possível tal coisa? Não existe essa felicidade plena, essa”máquina de fazer felicidade”, na qual é possível carregar num botão e obter a felicidade desejada para toda a vida. A felicidade são momentos, em que nós nos realizamos, nos sentimos superiores á realidade fatal que nos governa. Nós conseguimos atingir essa felicidade em certos momentos, e por isso mesmo, por serem momentos, são passageiros, num momento sentimo-la noutro logo a seguir, já não a vemos…
“Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos, / Com as coisas humanas postas desta maneira,”, nós estamos sujeitos ao que somos, não o podemos mudar, actuamos como devemos actuar, pensamos como devemos pensar, estamos como que fechados num círculo onde tudo o que nos diz respeito já está escrito, marcado com caneta permanente, e por isso quase todos, ou uma grande parte desse todo sofrem. Mas se conseguíssemos ser diferentes, apagar essa caneta, seríamos mais felizes? É um pouco complicado desligarmo-nos do pensamento, pois este é um factor que caminha sempre presente na nossa vida. Mas acredito que caso tal fosse possível a felicidade era muito mais fácil de atingir, porque era tudo mais real, veríamos as coisas tal como elas são na realidade, sem interrogações acerca do seu aspecto, as coisas seriam como elas são, nada mais: “se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.”
Por isso, devemos aproveitar cada momento, como se fosse o último, e viver mais as coisas como ela são, sem reticências.


Letícia Fortes, 12ºC

[texto por editar pela professora]

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